Publicado em: 04/05/2026

[Artigo] Servir Com Qualidade- Missão Permanente

Os hospitais filantrópicos e as Santas Casas de Misericórdia, historicamente, sempre direcionaram as suas atividades guiadas por princípios humanitários. Seus fundamentos se ancoram, sobretudo, na caridade, com enfoque aos mais vulneráveis da sociedade e no compromisso de suprir as necessidades de assistência à saúde das comunidades em que se propõem a atuar. Outra característica importante é que não visam lucros. Eventuais resultados devem ser aplicados, obrigatoriamente, de acordo com a sua finalidade.

Essa filosofia funcionou muito bem até o início do século passado, quando a assistência à saúde não dispunha de grande tecnologia e o custo da assistência médico-hospitalar era quase que insignificante. Entretanto, com o advento de novas tecnologias, principalmente das verificadas nas últimas décadas, tudo se tornou muito mais complexo e de altíssimo custo. Daí o considerável aumento na expectativa de vida. Entretanto, não obstante à conservação dos aspectos humanitários, a questão da sustentabilidade passou a ser um desafio.

No Brasil, depois da Constituição de 1988, os hospitais filantrópicos passaram a depender da prestação de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, cerca de 1800 Santas Casas e Hospitais Filantrópicos respondem por mais de 50% dos atendimentos de média e da alta complexidade do SUS, com a oferta superior a 130 mil leitos. Contudo, a sustentabilidade é um desafio comum que aflige quase a totalidade desses hospitais, pela própria dependência dos recursos públicos.

No estado do Espírito Santo, os maiores hospitais da rede filantrópica respondem por aproximadamente 85% dos atendimentos de alta complexidade do SUS. Tal atendimento engloba serviços de altíssimo custo, tal como os de cirurgias cardíacas, tratamentos de oncologia (quimioterapia, radioterapia e cirurgias), neurocirurgia, neurologia clínica com atenção aos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), assistência aos pacientes renais crônicos, entre outras atividades.

O último contrato firmado entre a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) com essa rede de hospitais aconteceu em abril de 2022, baseado no custo da diária hospitalar no ano de 2019. Desde então, convivemos com a pandemia da COVID 19, que aumentou de forma abrupta o preço dos materiais e medicamento, em razão da dificuldade de logística, da demanda crescente de certos produtos e da escassez de matérias primas no mercado. Além disso, tudo aumentou no período entre 2019 e 2026: salários, contas de água e luz, medicamentos e todos os tipos de materiais.

Já se passaram, portanto, 7 anos que os hospitais filantrópicos não têm qualquer aumento em seus contratos. Tal situação ainda é agravada pela inflação na área da saúde, que é muito maior do que os principais indicadores da evolução dos preços na nossa economia, tal como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGPM (Índice Geral de Preços – Mercado). Isso se deve ao implemento de novas tecnologias, que por um lado aumenta a expectativa de vida da população, mas por outro eleva acentuadamente os custos da área da Saúde.

O que tem atenuado parte dos problemas financeiros dos filantrópicos são as Emendas Parlamentares, que inclusive têm evitado que se tornem instituições sucateadas. Contudo, o endividamento tem se tornado um problema grave, pois é a forma que esses hospitais encontram para continuar  servindo com qualidade a comunidade na qual estão inseridos.

 
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