Publicado em: 24/08/2026
[Artigo] Obesidade - Riscos e Soluções
Nas últimas décadas, a obesidade se tornou um dos mais importantes problemas de saúde pública, o que levou, inclusive, a classificação de doença crônica e um fator de risco para o desencadeamento de outras doenças também graves. As principais enfermidades associadas à obesidade são a hipertensão arterial, a diabetes tipo 2, as afecções cardíacas, tais como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), a esteatose hepática (gordura do fígado), a osteoartrite, a apneia do sono e diversos tipos de câncer.
Entre as principais causas da obesidade estão os maus hábitos alimentares e o sedentarismo, embora a doença também possa estar associada a predisposições genéticas, distúrbios emocionais e alterações hormonais. Com o avanço da industrialização e a maior oferta de alimentos com preços menores, houve um aumento expressivo no consumo de produtos industrializados e ultraprocessados com alto teor de gordura, açúcares e sódio. Tais ofertas são riquíssimas em densidade calórica, como também muito pobres de bons nutrientes.
Nos últimos anos, um dos grandes avanços da ciência para o controle da obesidade foram as chamadas “canetas emagrecedoras”. Essas canetas utilizam princípios ativos que simulam determinados hormônios intestinais que regulam a saciedade e o teor de açúcar no sangue, tal como a semaglutida (presente no Ozempic e no Wegovy), a liraglutida (presente na Saxenda e Victoza) e a tirzepatida (presente no Mounjaro). Os estudos desses princípios ativos tiveram inicialmente o objetivo do controle da diabetes, mas mostraram-se bastante eficazes no combate a obesidade.
Segundo especialistas, “as canetas emagrecedoras mudaram o jeito de encarar o emagrecimento. Só que, se ajudaram a colocar a obesidade na posição de uma condição crônica e complexa, que requer uma abordagem terapêutica - como se faz com a hipertensão ou o colesterol alto - também desataram uma corrente de aspirações estéticas e lucrativas alimentadas por influenciadores digitais, celebridades e profissionais que não hesitaram em partir para as versões ilícitas, sem comprovação de estudos e controle de qualidade”.
Apenas no Brasil, o mercado das canetas emagrecedoras envolve a enorme soma de aproximadamente R$ 8,0 bilhões por ano.
Em consequência desse fator e da ambição de lucro fácil associada às expectativas estéticas e de soluções rápidas para o emagrecimento, agora, assistimos um crescimento enorme desse tipo de medicamentos no mercado clandestino. Trata-se, portanto, de produtos ilegais, sem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Grande quantidade desses produtos chega aqui contrabandeada do nosso país vizinho, o Paraguai.
Fatores importantes, como a concentração correta do princípio ativo e até mesmo a sua presença, o grau de pureza, as condições de conservação e a estabilidade do produto são desconhecidos, o que pode acarretar consequências graves para órgãos como fígado, pâncreas, intestino e até mesmo coração. Mais preocupante ainda é o fato de que apenas 5% dos consumidores consideram o registro na Anvisa um critério para a aquisição do medicamento, enquanto 54% priorizam a promessa de resultados rápidos, segundo pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF).
No entanto, não se pode esquecer de que a saúde é o elemento mais precioso que temos. Neste aspecto, devemos considerar a boa e saudável alimentação, assim como o exercício físico. Isto faz muito bem ao corpo e à mente e é a melhor prevenção de muitas enfermidades. Então, sempre é bom lembrarmos que precisamos de muita determinação e de resiliência, se realmente queremos ter uma vida saudável.