Publicado em: 02/06/2026
[Artigo] Há enorme espaço para a melhoria do SUS
Além da corrupção que subtrai enorme quantidade de recursos financeiros que poderiam servir para melhorar a saúde da população, o Sistema Único de Saúde (SUS) carece de melhor gestão em todos os níveis, seja no âmbito dos municípios, dos estados ou do governo federal. A falta de gestão ocasiona desperdícios de recursos materiais e humanos, além de inviabilizar o desenvolvimento harmonioso do sistema.
Um dos fatores que têm dificultado a organização do SUS é a gestão política, uma vez que a cada eleição quase sempre são realizadas mudanças na administração do sistema, o que na maioria das vezes acarreta descontinuidade em diversas ações e serviços. O fato é que não há uma legislação específica que obrigue os gestores públicos a utilizar parcela do pessoal de carreira nos organismos diretivos. Então, há sempre mudanças!
Tais mudanças acontecem com mais frequência justamente nos municípios, que são os responsáveis pela atenção primária. E a atenção primária quando bem feita pode resolver mais de 80% das necessidades dos cidadãos. Mas, por infortúnio, comumente se observa secretários municipais nomeados sem a mínima aptidão e conhecimento do setor.
O SUS custa em média aos pagadores de impostos brasileiros cerca de R$ 2.170,00 por habitante/ano. Somente o governo federal tem um orçamento anual de R$ 235,0 bilhões. Segundo o Banco Mundial, uma melhor eficiência nos gastos poderia resultar em uma economia de 16,5% por ano dos recursos utilizados, “que seria fundamental para garantir a sustentabilidade do sistema em um cenário de subfinanciamento e envelhecimento da população”.
Um dos graves problemas apontados e que dificulta a melhor utilização dos recursos é a falta de integração da atenção primária com a média e a alta complexidade. A porta de entrada do sistema deveria ficar restrita às unidades de médicos de família e de clínicas gerais, da forma como ocorre em todos os sistemas universalizados. No Brasil, entretanto, observa-se sobreposição de funções, com ofertas de serviços básicos nas áreas de especialidades e hospitalares. Isto resulta em sobrecarga do sistema, uma vez que inúmeros problemas poderiam ser resolvidos na atenção básica.
De acordo com o representante do Banco Mundial no Brasil, responsável pela área de saúde e nutrição, economista Edson Araújo, “quanto mais eficiente for a atenção primária, melhores serão os resultados da média e alta complexidade do SUS”, uma vez que só chegariam àquelas unidades os casos de maior complexidade, ou seja, cerca de 20% da demanda.
Outra questão que seria fundamental é a atuação mais efetiva de outros profissionais da saúde, como dos enfermeiros, principalmente nas regiões mais carentes e desprovidas de médicos. Isto contribuiria para o diagnóstico precoce e o tratamento de doenças como diabetes e hipertensão, que poderiam ser controladas evitando assim sérios agravos, tais como AVCs, infartos e doenças renais crônicas, entre outros...
Portanto, o problema do SUS não pode ser resumido exclusivamente à falta de recursos financeiros. Além de formar gestores capacitados há que se ter determinação para mudar o quadro em que o Brasil se encontra. Caso contrário, estaremos fadados a continuar gastando muito dinheiro e tendo resultados que indiscutivelmente poderiam ser muito melhores.